Velhas teorias sobre o Homo floresiensis estão desmoronando. Rápido.
Durante duas décadas, a comunidade científica presumiu que esses ancestrais baixos e de cérebro pequeno eram caçadores de ponta. Eles encontraram ossos de Stegodons extintos (parentes de elefantes) em cavernas da Indonésia. Eles encontraram detritos queimados. A narrativa foi fácil de digerir: esses “hobbits” mataram animais selvagens, dominaram o fogo e dominaram seu ecossistema. Encaixava-se no modelo progressivo da evolução humana. Gostamos de linhas retas.
Mas um novo estudo publicado hoje na Science Advances sugere que eles não eram caçadores. Nem perto. Eles eram catadores. Deleitando-se com o que os dragões de Komodo deixaram para trás.
Mudança abrupta, certo?
Os autores argumentam que os ossos do Stegodon não foram massacrados por ferramentas humanas. Os cortes? Marcas de mordida. Dos dragões. Para provar isso, eles não desenterraram mais ossos. Eles foram ao zoológico. Eles alimentaram dragões de Komodo em cativeiro com carcaças de cabra e compararam os danos aos antigos fósseis de Stegodon. A partida foi convincente. Briana Pobiner, paleoantropóloga e coautora do Smithsonian, chama essa tafonomia de “arma fumegante”.
“É um ótimo exemplo de voltar a estudar um fóssil… que não tinha sido estudado com mais detalhes com esses tafonômicos.”
E quanto às evidências de incêndio? Também se foi. Ou pelo menos, extraviado. Os pesquisadores examinaram 4.500 pequenos ossos de roedores da caverna. Nenhum foi queimado. Sem madeira carbonizada. A chamada evidência da culinária hobbit provavelmente pertencia ao Homo sapiens. Nós. Chegamos mais tarde. Fizemos uma bagunça. Os antigos residentes acabaram de ser culpados.
Dean Falk, da Florida State University, diz que o artigo faz uma “afirmação dramática”. Ela reconhece que isso pode não resolver todos os debates. Poderia um hobbit ter esfolado um estegodonte sem serrar o osso? Talvez. Mas o ónus da prova mudou fortemente.
Isso nos obriga a repensar a árvore genealógica.
Gostamos de acreditar que a evolução é uma escada. Escale, melhore, domine o fogo, conquiste a natureza. Progresso linear. Pobiner discorda.
“Nossa árvore genealógica não era uma linha reta.”
Os hobbits viveram ao nosso lado no tempo, mesmo que não no lugar. Enquanto os Neandertais circulavam pela Europa e os humanos modernos se expandiam, o Homo floresiensis estava remexendo ossos na Indonésia. Eles sobreviveram. Eles evoluíram. Fizeram-no sem fogo e sem caçar a fauna gigante.
Isso é sucesso ou limitação?
O estudo derruba duas décadas de conforto. Deixa buracos. Isso deixa dúvidas sobre como uma espécie tão limitada em termos comportamentais persistiu por tanto tempo.
E então desapareceu. Cerca de 50.000 anos atrás. Assim como aparecemos.
Foi competição? Doença? Clima? As sobras do dragão pararam de chegar. Ou talvez tenhamos ocupado o nicho deles também.
