O MV Hondius. Não deveria terminar assim.
Três mortos. Pelo menos oito doentes.
Eles estavam cruzando o Atlântico vindos da Argentina quando o vírus dos Andes apareceu. Um hantavírus. Cru. Perigoso. As autoridades não sabem exatamente onde tudo começou, mas têm um suspeito. É pequeno. Peludo.
O arroz pigmeu de cauda longa鼠.
Em alguns bolsões da América do Sul, quase 10% desses ratos são portadores da doença. Você é infectado ao respirar a urina seca. As fezes. Partículas de saliva. É sombrio. Andes é o único hantavírus que também se propaga entre humanos. Isso muda a matemática.
“Precisamos de mais pesquisas para compreender o vírus Hantu na natureza.”
– Luís Escobar
Taxas de mortalidade? Assustadoramente alto. A OMS diz até 50% para casos de HPS. O pânico instala-se rapidamente, apesar de as autoridades norte-americanas insistirem que o risco público permanece baixo neste momento. A questão não é apenas quem morreu, mas como chegou lá.
Os epidemiologistas querem DNA dos roedores. As sequências são importantes. Maria Van Kerkhove, na conferência de imprensa da OMS, deixou claro: rastrear o genoma, evitar as próximas repercussões.
A teoria diz que tudo começou com um casal holandês. Eles adoeceram. Então morreu. Em abril. Talvez eles tenham visitado a região dos ratos do arroz antes de embarcar no navio.
Aqui está o problema.
Mal conhecemos a fera. A maioria dos estudos é reativa. Uma ruptura acontece e então nos esforçamos para olhar para trás. Luis Escobar, da Virginia Tech, chama isso de hábito de fracasso.
Mas vamos falar sobre o rato em si. Oligoryzomys longicaud.
Pequeno. Pense no tamanho da bateria AAA. Às vezes maior. Ele sobrevive em qualquer lugar. Florestas. Pastagens. Mesmo ao lado da porta da sua casa rural. Generalista ecológico. Florescer. Multiplicar.
É o reservatório principal? Provavelmente sim.
Outros ratos sul-americanos podem carregá-lo. Os estudos de 2018 mostraram camundongos de orelhas grandes do sul, camundongos capim de pêlo comprido, camundongos capim-oliva – eles também são portadores. Simplesmente não sabemos por que o arroz se ajusta tão perfeitamente. Comportamento? Biologia? Pura sorte?
Tem sido assim há milênios. Co-evolução. O vírus vive no rato. Isso não os mata. (Hamsters? Não têm tanta sorte. Eles ficam doentes. Temos menos sorte ainda.)
As alterações climáticas torcem o nó.
Aquecer. Chuva. “Ratadas.”
Ciclos de lança. As populações de ratos explodem com o tempo chuvoso. Eles sobem. Em direção a altitudes mais elevadas. Em nossa direção. Fernando Torres Pérez vê o mapa mudar. O contato aumenta. O risco segue.
Rastreamos os danos. Não a fonte.
Se olharmos apenas quando os sacos para cadáveres saem, perdemos a linha de base. O silêncio antes da tempestade. Os ingredientes necessários para um evento de transbordamento. Estamos adivinhando.
