Não é um medo novo. Os humanos adoram prever o fim das coisas. Pragas, asteróides, guerra nuclear. Ameaças físicas. Indicadores visíveis.
Mas alguns pesquisadores estão ignorando o hardware.
Eles estão olhando para os números. Probabilidade pura. Um dado específico: quantas pessoas já viveram. É o argumento do Juízo Final. E isso sugere que nosso relógio está correndo.
Imagine dois tambores.
Um contém 100 ingressos. O outro detém um bilhão. Ambos são numerados sequencialmente. Você está com os olhos vendados. Você alcança um tambor. Você retira o tíquete nº 14.
Qual tambor era?
Provavelmente aquele com 100 ingressos. Se fosse o tambor dos bilhões de ingressos, as chances de escolher um número baixo seriam astronomicamente pequenas. Você esperaria algo em torno de 437 milhões. Não 14.
Agora troque ingressos por humanos.
Você é aproximadamente o 117 bilhões de seres humanos já nascidos. Este número é uma anomalia estatística? Estaremos no alvorecer de um império galáctico de um trilhão de pessoas? Ou somos medianos? Em algum lugar no meio da linha.
Se você presumir que é aleatório, mediano, a matemática fica desconfortável.
O meio da linha
Imagine cada ser humano que viveu ou viverá, em fila. Cronologicamente. Do primeiro homo sapiens ao último.
Um quarto das pessoas está nos primeiros 25% dessa linha. Um quarto está nos 25% finais. O resto? Metade está no meio.
Não temos provas de que somos especiais. Que vivemos em um capítulo inicial milagroso. A suposição racional? Somos aleatórios. Um ponto aleatório na história humana.
Há 50% de chance de cairmos nesses 50%.
Se 117 mil milhões de pessoas vieram antes de nós, provavelmente representam algo entre o primeiro percentil 25 e o percentil 75 de todos os seres humanos de sempre. Isso significa que a população humana total varia entre 156 mil milhões e quase 500 mil milhões.
Taxa de natalidade atual: 132 milhões por ano.
Faça a divisão.
Há uma probabilidade de 50% de que o último ser humano nasça dentro de 295 anos. Uma probabilidade de 80% dentro de aproximadamente 8.000 anos.
“Essas projeções podem parecer muito tempo”
Parece longo. Na verdade é curto. Principalmente quando comparado com a nossa história. E ruim para quem deseja um futuro de Star Trek. E isso pressupõe uma taxa de natalidade linear. Crescimento exponencial? A linha do tempo diminui mais rápido.
A prova do Muro de Berlim
Isso é apenas um absurdo abstrato?
Talvez. Mas tem um histórico.
Em 1969, o astrofísico J.R. Gott visitou o Muro de Berlim. Estava em pé há oito anos. Quanto tempo mais isso duraria? Ele fez uma suposição. Sua visita não foi especial. Foi um ponto aleatório na linha do tempo da parede.
50% de chance de a visita ter acontecido na metade da existência do muro.
Math sugeriu que a parede esteve erguida entre 25% e 75% de sua vida útil total. Previsão? O muro cairia entre 2,7 e 24 anos depois.
Caiu em 1989. Vinte anos depois. Certo.
Ele tentou isso com shows da Broadway. 1993. 44 programas. Ele previu suas datas finais. 37 haviam fechado em 2001. Todos se enquadravam nas janelas previstas. Gott é um grande defensor. Ele se baseia no trabalho de Brandon Carter.
Funciona porque se baseia no princípio copernicano. A Terra não é o centro. Nós não somos especiais. Provavelmente somos apenas observadores típicos. Média. Em algum lugar no meio.
As objeções
Isso deixa você desconfortável.
O que é bom. Isso significa que a matemática está fazendo alguma coisa.
Os críticos argumentam que é um truque de prestidigitação. Mas ninguém consegue concordar sobre onde o truque acontece.
- O problema da classe de referência: Por que apenas os humanos? E os Neandertais? Alienígenas? Futuros ciborgues? Ampliar a definição de “quem” e a data de validade está longe. O argumento parece muito dependente de caixas arbitrárias.
- A objecção do homem das cavernas: se um humano pré-histórico usasse esta lógica, eles adivinhariam que a nossa linhagem dura mais um século. Eles estariam errados por milhares de anos. Por que confiar na matemática que falha em retrospectiva?
- Autoindicação: Um universo com trilhões de seres possui mais espaços para consciência. É mais provável que você nasça no grande universo do que no pequeno. A própria existência pode favorecer a longevidade.
- Sem causalidade: asteroides matam pessoas. A guerra nuclear mata pessoas. Ser a 117 bilionésima pessoa não. A classificação de nascimento não tem mecanismo físico para o apocalipse. É um número, não uma bomba.
Os proponentes têm respostas para todos os pontos. O debate fica técnico. Intenso.
Talvez seja esse o ponto.
Tem menos a ver com quando morremos e mais com onde pensamos que estamos. O que nossa existência realmente prova? Onde os argumentos probabilísticos falham? Isso nos força a questionar as suposições sobre as quais não pensamos.
Continua sem solução. E, sem dúvida, deveria continuar assim. O não saber nos mantém atentos. Mesmo que o relógio esteja correndo.




















