Os astrônomos alcançaram um grande marco na cosmologia ao completar o maior e mais detalhado mapa tridimensional do universo até hoje. Este mapa de alta resolução cataloga mais de 47 milhões de galáxias e outras estruturas cósmicas massivas, proporcionando uma visão sem precedentes da arquitetura do nosso universo.
A busca para compreender a energia escura
O principal impulsionador deste ambicioso projeto é o mistério da energia escura. Embora os cientistas saibam que a energia escura é responsável pela expansão acelerada do universo, a sua natureza fundamental continua a ser uma das maiores questões não resolvidas da física.
Atualmente, existem duas maneiras principais pelas quais os cientistas veem esse fenômeno:
- A Constante Cosmológica: Esta teoria sugere que a energia escura é uma densidade de energia constante inerente ao espaço “vazio”. Foi originalmente introduzido por Albert Einstein como um “fator de fraude” matemático para manter um universo estável.
- Energia Escura Dinâmica: Algumas observações recentes sugerem que a energia escura pode não ser constante, mas pode na verdade mudar de intensidade ao longo do tempo.
Se a energia escura for de facto dinâmica e não constante, alteraria fundamentalmente a nossa compreensão da física e mudaria as nossas previsões relativamente ao destino final do universo.
Como o mapa foi construído
O mapa foi criado usando o Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (DESI), um dispositivo especializado montado em um telescópio no Arizona. Liderada pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, esta colaboração internacional passou cinco anos pesquisando vastas porções do céu noturno.
É difícil exagerar a escala desta conquista: o conjunto de dados DESI contém seis vezes mais galáxias e objetos cósmicos do que todas as medições anteriores combinadas. Este fluxo maciço de dados proporciona um nível de precisão que os inquéritos anteriores simplesmente não conseguiam igualar.
O que vem a seguir?
Embora a pesquisa inicial de cinco anos esteja concluída, o trabalho está longe de terminar. A comunidade científica está agora a entrar numa fase de intensa análise de dados para ver se as primeiras “sinais” de mudança na energia escura resistem a um exame mais minucioso.
O roteiro do projeto inclui:
1. Processamento de dados: Os pesquisadores estão atualmente “remendo” o enorme conjunto de dados para extrair padrões significativos.
2. Observações Expandidas: Até 2028, o DESI continuará a observar áreas mais difíceis do céu, com o objetivo de expandir o mapa em mais 20%.
3. Resultados Definitivos: A colaboração espera divulgar descobertas mais conclusivas sobre a natureza da energia escura até 2027.
“Depois de encontrar indícios de que a energia escura pode se desviar de uma constante [cosmológica]… neste momento parece que estou sentado na ponta da cadeira enquanto analisamos o novo mapa para ver se esses indícios serão confirmados.” — Stéphanie Juneau, astrônoma associada do NOIRLab
Conclusão
Ao mapear 47 milhões de galáxias, os astrónomos muniram-se de lentes de alta definição para estudar as forças que moldam o nosso cosmos. Este enorme conjunto de dados poderá em breve revelar se a energia escura é um elemento permanente do espaço ou uma força mutável que acabará por ditar como o universo terminará.
