Pesquisas recentes sobre os hábitos de hibernação de pequenos mamíferos, especialmente hamsters, podem ter implicações surpreendentes para voos espaciais de longa duração e até mesmo para prevenir a perda muscular em pacientes na Terra. Embora os humanos não possam hibernar naturalmente, os cientistas estão agora a descobrir os mecanismos biológicos que permitem aos animais sobreviver a períodos prolongados de frio extremo e inactividade sem deterioração muscular significativa.
O problema da hibernação humana
Para a maioria dos animais, incluindo os humanos, longos períodos de inatividade a baixas temperaturas levam à atrofia muscular – a degradação do tecido muscular. Isto ocorre porque as células estaminais musculares, responsáveis pela reparação e manutenção, degradam-se em condições adversas. No entanto, animais em hibernação como os hamsters evitam este destino, entrando num estado em que as células estaminais musculares permanecem viáveis, pausando essencialmente a sua actividade até que as condições mais quentes regressem.
Como os animais fazem isso: uma pausa reversível
Um estudo publicado no The FASEB Journal revela que durante a hibernação, as células-tronco musculares não morrem; eles entram em um estado dormente. Isso permite que os animais conservem energia e preservem o tecido muscular durante o inverno. Como explica o bioquímico Mitsunori Miyazaki, da Universidade de Hiroshima, as células “suprimem ativamente a reparação muscular de forma controlada e reversível”. Quando as temperaturas sobem, a reparação muscular é retomada sem problemas.
Implicações para humanos
Esta descoberta tem um potencial de longo alcance. Os pesquisadores sugerem que a compreensão desse processo pode ajudar a mitigar a perda muscular em vários cenários humanos:
- Envelhecimento: Prevenir o declínio muscular relacionado à idade.
- Repouso prolongado na cama: Redução da atrofia em pacientes confinados à cama por longos períodos.
- Hipotermia Médica: Protegendo os músculos durante o resfriamento terapêutico.
- Voo espacial de longo prazo: É aqui que a pesquisa brilha; os astronautas experimentam severa perda muscular em gravidade zero. Imitar o mecanismo de hibernação poderia permitir missões espaciais mais longas e saudáveis.
O objetivo não é necessariamente fazer os humanos hibernarem, mas replicar os mecanismos celulares que permitem aos animais proteger o tecido muscular durante a inatividade prolongada e condições extremas.
“Compreender como as células-tronco musculares sobrevivem ao frio extremo enquanto reduzem temporariamente sua atividade pode fornecer informações úteis para prevenir a perda muscular em humanos… Também pode oferecer pistas para proteger os músculos durante voos espaciais de longo prazo.” —Mitsunori Miyazaki.
O próximo passo é aprender como aproveitar esses processos biológicos para aplicação humana. Isso poderia mudar fundamentalmente a forma como abordamos as viagens espaciais de longa duração e a preservação muscular.




















