Milhões de americanos experimentaram medicamentos prescritos para perda de peso, como Zepbound e Wegovy, obtendo perda significativa de peso e melhorias na saúde em muitos casos. No entanto, um número substancial de utilizadores acaba por deixar de tomar estes medicamentos, muitas vezes comercializados como tratamentos de longo prazo. Uma nova investigação confirma que os benefícios não são sustentados: os indivíduos que descontinuam estes medicamentos recuperam rapidamente o peso perdido e vêem os seus indicadores de saúde cardiovascular reverterem para os níveis anteriores ao tratamento dentro de aproximadamente dois anos.
A velocidade da reversão
Um estudo de revisão publicado no The BMJ descobriu que a recuperação do peso ocorre aproximadamente quatro vezes mais rápido após a interrupção dos medicamentos para perda de peso, em comparação com a interrupção da dieta ou dos regimes de exercícios. Em média, os indivíduos recuperam cerca de 0,4 quilogramas por mês após a cessação. Crucialmente, os marcadores cardiometabólicos – incluindo glicemia, pressão arterial e colesterol – também se deterioram, retornando aos níveis basais dentro de 1,4 a 1,7 anos.
O impacto metabólico
O estudo abrangeu vários medicamentos para perda de peso, incluindo medicamentos GLP-1 mais antigos (como a semaglutida), bem como opções não-GLP-1, como combinações de orlistat e fentermina/topiramato. Os investigadores compararam estes resultados com dados de intervenções comportamentais (dieta e exercício). A principal conclusão é que a interrupção da medicação desencadeia uma recuperação de peso mais rápida do que interromper as mudanças tradicionais no estilo de vida.
Por que isso é importante: Isso destaca uma questão crítica no tratamento da obesidade. Embora os medicamentos ofereçam resultados rápidos, interrompê-los sem um plano comportamental sustentado leva a um retorno mais rápido a estados metabólicos prejudiciais. O corpo não simplesmente “pausa” a recuperação do peso; isso acelera.
O papel do comportamento e da fisiologia
Os especialistas enfatizam que a perda de peso com medicamentos envolve a perda de gordura, músculos e massa óssea. Sem exercício contínuo, o peso recuperado tende a ser principalmente gordura, o que significa que os indivíduos podem acabar em pior situação metabólica, mesmo que retornem ao peso inicial.
“Se você olhar os gráficos do estudo, poderá recuperar mais peso e acabar em situação pior do que antes”, diz Rozalina McCoy, endocrinologista da Universidade de Maryland.
O estudo reforça que o tratamento da obesidade não envolve apenas força de vontade. Os medicamentos GLP-1 suprimem o apetite de forma eficaz, mas quando esse efeito desaparece, manter a perda de peso apenas através do comportamento torna-se extremamente difícil.
Implicações para cuidados de longo prazo
Os investigadores sugerem a transição dos pacientes para programas comportamentais (dieta ou exercício) imediatamente após a interrupção da medicação, mas são necessários mais ensaios para validar esta abordagem. As conclusões também levantam preocupações sobre a cobertura do seguro: mudanças abruptas ou limitações no acesso aos medicamentos podem ter consequências para a saúde a longo prazo.
Em última análise, o estudo sublinha a realidade de que os medicamentos para perda de peso não são uma “cura”. Pará-los sem uma gestão contínua do estilo de vida leva a uma deterioração previsível e rápida dos benefícios para a saúde.
